A CGTP diz que a greve de hoje foi um sucesso. Parece que para esse Sindicato o grau de sucesso nas greves mede-se pela sua adesão e consequente paralisação do país. O Governo e os Sindicatos costumam fazer as contas de modo diferente, mas de qualquer modo, como disse o Ministro do Trabalho, a greve não tem influência nas políticas do Governo. E a CGTP diz sempre que cada greve teve a maior adesão de sempre; qualquer dia não sobram portugueses...
Nem sei em concreto quais são as reivindicações dos grevistas (ou dos Sindicatos...). Falam sobre "salários degradados, direitos roubados" e "serviços públicos encerrados". Falam em lutas, começam com interjeições, tais como "Basta!" e em cartões vermelhos. Parece estarem num combate contra o patronato: "flexigurança - consubstância um patronal ...", blah, blah. Falam em injustiças, mas não são claro sobre o que sejam. Falam mal como sempre do Governo do momento (talvez parassem se fosse um Governo Comunista, como da antiga URSS, China ou Cuba), mas não dizem nos seus manifestos o que pretendem, nem propostas de soluções aceitáveis para ambas as partes (se é que existem duas partes numa guerra). Mas, pelo primeiro parágrafo que escrevi, percebe-se que isso tudo é irrelevante, pois o objectivo da greve é haver grevistas e chatearem aqueles que querem trabalhar e os utentes.
Não pude ir trabalhar hoje no meu local de emprego porque não tenho garantias de transporte, mas felizmente posso fazê-lo em casa (apesar da latência que se nota ao aceder ao servidor do trabalho). Nas notícias mostraram imagens de grevistas que obstruiam os colegas que decidiam trabalhar, tentando convencê-los a juntarem-se à luta. Disseram-me que nos os condutores de tranportes públicos que não aderem às greves correm o risco de sofrerem represálias, e houve tempos que os chamados "fura-greves" sofriam agressões físicas. É esse o significado da democracia do Zé Povinho: ter uma maioria que espezinhe os que pensam diferente.
As greves em Portugal não passam de feriados. A única diferença é que em muitos sectores sente obrigado a participar, senão são considerados traidores. Não se apercebem que as greves estão a tornar-se um antibiótico que foi usado em excesso, com as bactérias sobreviventes a evoluírem e a tornarem-se imunes. Essas greves já não têm impacto, a não ser para a cabeça de quem quer ter a liberdade de trabalhar e ser tratado das suas maleitas. A greve deixou de ser um caso excepcional pelos seus custos: institui-se regra. Por isso não se pode dar o luxo de terem impacto, com mais agressividade e grande duração (é sempre um dia...).
Dizem que Portugal é o país da Europa onde se trabalha mais tempo, mas também um dos que tem menor rendimento. Isso não tem nada de extraordinário, se tivermos alguma ideia de como funciona pelo menos o trabalho de funcionários públicos. Não me admira que aqueles que joguem o Solitário atrás das secretárias declarem que os salários são degradados. Ou aqueles que apelam pelo método pelo método, ao invés dos resultados , que vêem de maus olhos invejosos os trabalhadores produtivos, que falam de direitos roubados. Por exemplo, o o objectivo das escolas não é os alunos aprenderem e serem avaliados; em Portugal o objetivo é ensinar e passar alunos.
Nas greves apelam por condições para maior produtividade para melhores salários? Produtividade => Salário; sem produtividade, de onde vem o dinheiro?
Eis uma página no Wikidoido sobre a eficiência dos funcionários do Japão com a do Brasil: http://www.wikidoido.com/Funcion%C3%A1rios_p%C3%BAblicos_eficientes . Seria justo alguém que trabalhasse tão rápido como a japoneza ganhasse tanto como o brazileiro que joga solitário no computador? É essa a justiça salarial?
Comentários Recentes
http://www.geocitie
eu respeito muito seu
Concordo plenamente com o comentário acima,